Quando ainda tinha a plena concepção de um amor romantizado, li, não sei onde, que amar alguém é ver o mundo através do olhar do outro. Na época, fez muito sentido para mim acreditar que isso me levaria ao amor, mas, hoje questiono a presunção desta frase. Há quem confunda isso com uma empatia a se almejar nas frases mais românticas possíveis mas essas merdas não salvam a diversidade de pensamentos e experiências que formam um outro ser. A complexidade de uma perspectiva vai muito além do olhar. Acontece que ao fazer isso, presumi as lacunas de um ser, sem nem conhecê-lo por mais do que minutos…poderiam ser anos…não importa, não se faz isso. Não precisamos de outra definição de amor para (sobre)viver. Eu não quero isso, quero a realidade. Quero um olhar reflexo, aquele em que basta o encontro dos olhos para saber que fudeu, para ir embora, para ficar, para ir. Mas, infelizmente, isso é a consequência de tanta coisa passada para que possa estar presente. É construção. Não importa o quanto os filmes nos façam acreditar, nem as pessoas que dão sentido ao amor em um sinal de vista, especialmente quando contam a história de como se conheceram para impressionar a si mesmos e a quem quer que ouça, não existe nada à primeira vista. Só existe esperança e muita merda pra passar junto.